Descomplicado a radioterapia

O brasileiro sabe viver, mas não sabe morrer
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O brasileiro sabe viver, mas não sabe morrer

É possível mudar?

Como sociedade nós devemos aprender a falar de nossos objetivos e valores, viver bem mas também entender o que isso significa no final da vida.

Um pioneiro projeto americano chamado “Death over Dinner” estimula que pessoas a falarem de quem elas perderam, compartilhar pensamentos sobre o final de vida na mesa de jantar.

O texto é dirigido ao público americano mas faz todo o sentido para nós brasileiros.

Em uma matéria para o site The Drum, o autor do projeto elaborou um breve artigo que fala sobre o tema e como a classe medica pode contribuir para uma “boa morte”.

Intitulado “It’s time to discuss what a ‘good death’ looks like” (É hora de discutir como é uma “boa morte”, em tradução livre), o texto começa falando sobre como a maioria das pessoas gostaria de morrer em casa, mas que, infelizmente, a realidade não é bem essa.

Os nossos últimos meses de vida são diminuídos por um atendimento excessivamente medicalizado, e o acesso à morte assistida não foi resolvido. Essa morte sem dor e sofrimento é o que muitos entendem como uma boa morte.

Mas como isso é visto do lado clínico? Médicos e profissionais de saúde são vistos como  especialistas em salvar vidas e, de fato, a maior parte da atenção desses profissionais para com os pacientes, vai nesse sentido.

Entretanto, não importa quais medidas e esforços sejam feitos, há pacientes que não é possível curar, que estão morrendo de uma doença irreversível – câncer metastático que não responde ao tratamento, fragilidade severa e demência, falência de órgãos em fase terminal – que são facilmente deixados para trás pela incansável pressão pela cura. Muitos não sabem que estão morrendo até os últimos dias de vida. Eles não têm muito a dizer sobre o que lhes acontece no último mês de vida e, como resultado, não têm uma boa morte.

Há um momento em que  a terapia médica terá pouco efeito sobre quanto tempo esses pacientes vivem, e cada decisão tomada afetará a qualidade de como eles vivem seu último mês de vida.  Eles precisam saber o que valorizam, quais são suas metas neste último mês e o que estão dispostos a comprometer ou suportar para alcançá-las.

E aí que entra a necessidade de dialogo e sabermos conversar sobre a morte, uma vez que a maioria dos pacientes e familiares nunca falou sobre o assunto e, em decorrência do estresse emocional , eles lutam para desistir de seu otimismo inerente e esperar por uma cura e mudar o foco de suas forças para apoiar o que seria uma morte tranquila.

O autor defende que é preciso ensinar habilidades de comunicação aos  profissionais de saúde, tais como começar a ouvir ativamente, usar a empatia, confrontar nossos próprios preconceitos e alinhar os conselhos médicos com as necessidades do paciente e da família. E que essas habilidades são, hoje em dia, tão importantes quanto o tratamento e suporte medicinal em si, para oferecer uma boa morte.

Confira o texto na íntegra (em inglês) aqui!

Escrito por Radioterapia Legal - 07/06/2016 - 124 Views

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