Descomplicado a radioterapia

Radiocirurgia no tratamento de Malformações Arteriovenosas
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Radiocirurgia no tratamento de Malformações Arteriovenosas

A radiocirurgia é uma técnica de radioterapia não invasiva, em que a utilização de estereotaxia permite altas doses de radiação em fração única, com alta acurácia espacial e conformação precisa da dose entregue ao alvo a ser tratado. É uma ferramenta importante no manejo de enfermidades intra-cranianas benignas e malignas, como malformações arteriovenosas (MAV), meningiomas, tumores malignos primários do sistema nervoso central e metástases cerebrais. Entre as doenças benignas, a MAV cerebral é uma das mais importantes devido à repercussão clínica causada por sua ruptura, que pode culminar com desfecho fatal em alguns casos.

A Malformação Arteriovenosa é uma alteração vascular embrionária, em que os capilares apresentam-se tortuosos e com aumento de calibre, podendo haver ligação direta entre a artéria nutridora e a veia de drenagem, com uma prevalência de 15 a 18 casos por 100.000 adultos. Essa alteração dificulta a oxigenação tecidual causando hipóxia e predispõe ao aumento do risco de sangramento cerebral. O risco de hemorragia é maior na presença de sangramento prévio, de drenagem venosa ou localização profunda, ou ainda quando a MAV está associada a aneurisma (nesse caso o paciente obrigatoriamente deve realizar embolização cerebral). O risco anual de hemorragia pode variar de 0.9% quando não há sangramento prévio, em localização e drenagem superficiais a até 34% em pacientes com MAV que sofreram hemorragia prévia e de localização e drenagem profundas.

O principal tratamento para a malformação arteriovenosa é cirúrgico, devido à redução imediata do risco de sangramento. Entretanto, em casos em que não é possível a ressecção cirúrgica, pode-se utilizar a Radiocirurgia, que tem mostrado bons resultados quando bem indicada, com cura em 60 a 80% dos casos em 5 anos.

Os exames de planejamento utilizados para esta técnica são Tomografia e Ressonância Magnética de crânio, e Angiografia Cerebral. É realizada uma fusão das imagens, onde são desenhadas a MAV e as estruturas nobres que devem ser evitadas. Logo após a equipe multidisciplinar (Radio-oncologista, Neurocirurgião e Físico Médico) realiza e aprova o planejamento terapêutico. Para a aplicação não é necessária sedação ou internação e o paciente pode retornar para casa logo após o procedimento.

Existem vários aparelhos que podem realizar Radiocirurgia, como o GammaKnife e o Acelerador Linear, ambos disponíveis no Brasil, e sem diferença de resultados entre eles.
Normalmente são realizados exames de rotina (Ressonância) para avaliar os efeitos agudos e tardios desse tratamento, e o mais comum deles é o edema, ou inchaço local, que na maioria das vezes é auto limitado e não causa sintomas.

Após 3 anos realiza-se uma nova angiografia para verificar se houve cura da MAV, e confirmado o sucesso do procedimento o paciente está livre do risco de sangramento e pode ter vida normal, mas deve continuar sempre com seguimento médico periódico.

Escrito por Radioterapia Legal - 27/07/2015 - 150 Views

3 Comentários

  • 9º Jornada Beneficente de Radioterapia | Paulo Lázaro 26/12/2015 em 4:35 pm

    […] Hoje participei do 9º Jornada Beneficente de Radioterapia (inscrição = presente infantil). Discutimos um pouco sobre Radiocirurgia em MAV’s (Mal Formações ArterioVenosas). Agradeço ao convite feito pela organização da jornada na pessoa do Paulo Definis. Muito bom poder falar um pouco desse tema, que foi meu objeto estudo durante anos! Melhor ainda é fazer um natal feliz para 300 crianças! Relembro nosso Artigo sobre o tratamento de MAVs com radiocurgia: http://paulolazaro.com.br/radiocirurgia-no-tratamento-de-malformacoes-arteriovenosas/ […]

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  • joana inacio 16/10/2016 em 1:10 am

    Gostei muito da explicação! Obrigada

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  • joana inacio 16/10/2016 em 1:12 am

    Minha filha tem uma mav descoberto,aos 3 pra 4 anos, e agora com 11,acabou de passar por seções de radio.Agora aguardando o tempo fazer seu papel.

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